Sem raízes

O Troféu – João Tabarra

Eu não pertenço a esse lugar. Só ele. Ninguém pertenceu. Apenas ele. Cada parte, cada centímetro é só dele. Toda a imundície também. Meu suor aqui não ficará. Não deixarei.
Vim parar aqui. Estava sem rumo. Me disseram que o que não quero é sair daqui. Odeio essas pessoas. Não sabem nada. Mas eu também não sei. Nem como vim parar aqui. Minto. Eu planejei. Sabia que aqui existia e queria esse esconderijo.
Eu sei que só ele pertence. Mas o odeio por exercer esse poder, por esfregar isso na minha cara quando convém. Realmente, quando convém estabelece um teatro onde se interpreta o meu pertencimento. É faz de conta, só posso rir da hipocrisia.
Não sei quanto tempo falta. Tento me preparar em vão. Teve esse cara, encantador. Pensei como seria, ia ser complicado também. Devo ser viciada, não em benzodiazepínicos.
Ele a tratou como lixo. Foi ridicularizada. Acho que ela nem sabe. Não, não nos detalhes que sei.
Eles são todos vazios. É torturante c a d a minuto com eles. Deprimentes.Estranhos entre eles.
Sou desgarrada, desenraizada, não  pertenço a lugar algum.

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